segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Em Santo André


A foz do rio onde estamos ancorados, é formada por uma barreira de coral, e o rio forma extensa área de mangue, resultando uma água avermelhada.

A variação da maré passa dos 2 metros, e as embarcações locais ficam no seco, na baixa-mar.

A praia, mais parece uma lagoa, pois enfrente, uma outra barreira de coral detém as ondas.

Uma comunidade de aroximadamente 800 habitantes, muito receptiva, e alegre.
A principal atividade é a pesca, o artesanato, e o turismo.
Aqui fomos recepcionados pelos alunos de uma escola local de música, com 50 alunos de flauta e 20 de violino.

No almoço de confraternização, chorinho ao som de banjo.
Uma beleza.


A tarde, batizado da gurizada da Capoeira.
Aqui nesta comunidade, o Costa Leste, a cada dois anos passa, trazendo presentes, dando aulas de vela para a gurizada, e interagindo bastante com os moradores.

Neste clima, também nos confraternizamos entre nós.
Aqui o Guego, acompanhado das hermanas Aurora e Ximena, em rítmo de despedida, pois daqui está voltando para casa, deixando o Firulete só com 4 tripulantes.
Foi um mês de uma ótima convivência. Com certeza, sentiremos muito a falta, da alegria contagiante, deste parceirão.

Aqui, a poucos quilômetros, fica Cabrália, uma pequena cidade fundada onde Cabral desembarcou.
Fomos até lá de moto-taxi (sem capacete) e de balsa.

Rodrigo, atrás dos óculos, na pracinha de Cabrália.

Algumas ruínas, vestígios de um passado mais punjante que os dias de hoje.

A igreja...

... a Casa de Câmara e Cadeia.

Na volta, pegamos carona com um barco local.
Hoje as 14:00 horas partiremos para Ilhéus. Tudo num rítmo de baiano, claro.
Até lá!
Norberto.

Abrolhos-Santo André


Dez horas da manhã. Saímos deste paraíso, no rumo de Santo André.
Serão 107 milhas, numa estimativa de 22 horas de navegação.

Passando perto de uma ilha rochosa, cheia de aves marinhas, as espantamos, e assistimos uma grande revoada.

Mar liso e vento suave. Vamos numa orça sem pressa.

No fim do dia, um por do sol de cinema...

... e no amanhecer, ele volta igualmente explêndido.

Chegamos no início da manhã. A entrada no canal do rio, é estreita, sinuosa, e cheia de bancos...

...Todos aguardam no lado de fora, e um prático local guia o acesso dos veleiros, em pequenos grupos de 3.

O espaço de atracagem é pequeno, e com muita correnteza de maré, hora entrando e hora saíndo.
O barcos foram ancorados amadrinhados (2 a 2), cada um com âncora pela proa e pela popa.
Mesmo assim, tivemos vários incidentes de barcos que garraram (soltaram âncora), o nosso inclusive, que juntamente com o Alphorria (outro Fast 345), foram arrastados até um banco de areia, e lá ficaram até sermos rebocados, já na maré enchente.
Até a próxima!
Norberto.

domingo, 8 de agosto de 2010

Arquipélago de Abrolhos


São 4 ilhas principais. A maior, Santa Bárbara, onde está o farol, é uma base da Marinha.
As demais são ocupadas por aves apenas. Principalmente atobás e fragatas.
Ao seu redor, numa vasta área, vários bancos de formação coralínea.
Nossa segunda Reserva Marinha, depois de Fernando de Noronha.
É ainda um ponto de acasalamento e procriação das baleias Jubarte.

Duas tomadas, de cima do farol. O ancoradouro dos 63 vereiros e a vila da Marinha.
O terreno é praticamente rochoso, e a vegetação, luta pela sobrevivência.
Um local perfeito para o mergulho.

A pedido da ala feminina dos nossos acompanhantes, uma foto do mais lindo, junto do farol. Uma obra toda em ferro, construída na gestão de D. Pedro II.


Recortes do horizonte, a partir das vigias do farol.

E aqui, uma foto dos 3 pais-tripulantes do Firulete.
Embora vivenciando dias tão intensos e marcantes, estamos sempre lembrando, e comentando com carinho, a família.
A saudade, provocada pela distância, aumenta a convicção nos nossos sentimentos.

Aqui, o Rodrigão, na ilha da Seriba...


... o território dos atobás. Muito dóceis, nos deixam aproximar até 1 metro de distância.

E aqui o Augustinho, nosso tripulante-paquerador, num flagra, tentando abraçar Aurora, uma intrépida argentina, que juntamente com Ximena, uma arquiteta, vem de Buenos Aires, sobem até o Caribe, atravessam o Atlântico, e fazem todo o Mediterrâneo.
Um abraço a todos, neste dia, principalmente aos Pais.

Norberto.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Rumo a Abrolhos

Partimos para um dos points mais esperados. Arquipélago de Abrolhos (abre os olhos), um alerta aos navegadores, pelas armadilhas das formações de corais, que quase afloram.
Bem, mais isto eram nos velhos tempos dos descobrimentos. Hoje desfrutamos do gps-map, que posiciona o barco, sobre a carta náutica, com todos os obstáculos e alertas devidamente posicionados.

Saímos as 5:00 da manhã, de Vitória, para uma navegada de 190 milhas, numa previsão de 38 horas de duração. A recomendação era chegar com a luz do dia, para evitar maiores riscos.


Aí o Firulete, fotografado por uma amiga de outro barco.
Vento perfeito, mar liso, velas trimadas, e nosso barco mostra toda sua elegância e competência.
O Guego, e seu inseparável canivete suíço, de 1002 utilidades, sempre pendurado no pescoço.
O momento era de calmaria, e observávamos as inúmeras baleias Jubarte que se exibiam em saltos ornamentais, típico das disputas de acasalamento.
Por um bom tempo, seguimos um grupo de baleias, filmando e fotografando suas evoluções, até que...

... surgiram, uma 2 metros a bombordo, duas 5 metros a boreste, e uma quarta emergiu, cruzando a nossa proa.
Íamos a uns 3 nós, só no motor.
A proa do barco se ergueu e sentimos um calafrio.
Um barco de 5 toneladas, batendo num animal de 10 toneladas, por menor que seja a velocidade, pode causar avarias. Ficamos por um bom tempo, procurando e imaginando possíveis abalos e vazamentos no casco.
Mas foi só o susto. Mais uma vez, o Firulete provou sua capacidade.
Espero que a baleia, também não tenha sofrido maiores consequências.
A partir dali, o guego foi tocando um sininho, que ajuda a alertar as baleias, que estão a cada ano mais confiantes, já que não sofrem mais nenhuma agressão do homem.
Ao fim da tarde, do segundo dia, "terra a vista!"
As ilhas de Abrolhos aparecem na proa.
Com o envolvimento das baleias, nos atrasamos. Observem que a maioria da flotilha já está ancorada no abrigo das ilhas.

Ancorados, só deu tempo de uma foto do por do sol, e um mergulho refrescante em águas límpidas.
O cansaço era grande, mas o dia seguinte prometia.
Até!
Norberto.

domingo, 1 de agosto de 2010

VITÓRIA!


O Firulete repousa, na Praia do Canto, Iate Clube do Espírito Santo.
O Clube se superou. Tivemos uma recepção de alto nível. Com direito a piscina, sauna, música ao vivo, e uma paella de frutos do mar maravilhosa.


Vitória ocupa uma ilha, e é um pedaço do paraíso.
Uma cidade muito bonita, e com uma ocupação bem interessante.
A parte velha, que poderia ser mais preservada, e uma parte nova muito agradável e bem planejada.
Um ponte, o dobro da de Fpolis, em comprimento e altura, a une a Vila Velha, município vizinho.

Várias avenidas, amplas e bem arborizadas, tornam a cidade funcional e agradável.

Já da Vila Velha, a ponte, que permite a passagem de grandes navios, e a ilha de Vitória, ao fundo.



Um convento jesuíta, de 1558, se destaca em toda a paisagem.
Foi construído sobre um grande morro, que termina num único maciço de granito.

Do convento, uma vista sobre a cidade de Vila Velha.
Ao fundo, o marzão, por onde passamos na chegada de Vitória.

Na parte nova de Vitória a orla é ocupada por parques lineares, que são plenamente vivenciados pela população.


E para não esquecer que sou arquiteto, um prédio público com qualidade e bom gosto. Coisa rara de se ver.
Bem, mas o assunto aqui é navegação.
Amanhã as 5:00 da matina, partimos para o Arquipélago de Abrolhos.
Serão mais 200 milhas, em aproximadamente 40 horas.
Como lá não teremos acesso a internet, nossa próxima postagem será em Santo André, sul da Bahía, onde estaremos chegando, provávelmente, no dia 07.
Aguardem, pois as fotos prometem.
Até.
Norberto.





Rumo à Vitória


Encerrando a estada de Búzios, em grande estilo.

As 15 horas, os 63 veleiros aquecem a turbinas para as 190 milhas náuticas. Previsão de 2 noites e um dia de navegação. Começamos com um vento empopado de sudoeste, de 10 a 12 nós. Saímos numa "asa de pombo", esnobando competência.
O dia seguinte foi de calmaria. Céu azul, mar de azeite. Foram 25 horas de motor, mas com direito a show de baleias Jubarte, que saltavam e giravam no ar. Passamos ao lado de um filhote de baleia, morto e com marcas de rede.

Nossas tentativas de fotografar as baleias, foram frustradas. Elas sempre apareciam onde não se esperava. Quando conseguíamos fotografar, o resultado era fora de foco. Pena.
Finalmente o vento reaparece, e a partir daí velejamos numa noite perfeita. Vento constante, lua cheia, o céu um tapete de estrelas, e mar liso. Era até uma pena, entregar o turno e ir dormir.
Ao amanhecer, como de praxe, garantimos o almoço. Uma Cavala de aproximadamente 4 kg, que virou sashimi de aperitivo e uma saborosa moqueca para os 5.

Depois de 39 horas de navegação, as 6:00 da manhã, chegamos em Vitória.
Ancoramos, tomamos um banho quente, e voltamos para o barco, dormir e colocar o sono em dia; satisfeitos e realizados pela Vitória alcançada.
Norberto.