sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Projeto Volta Atlântico - etapa 3A - Pré-Refeno

Estamos a uma semana da Refeno. Até agora tudo esteve calmo por aqui, mas a partir de agora começa um agito que vai num crescente, até virar adrenalina de regata.

Chegam barcos todos os dias. O abrigo do Cabanga começa a ficar congestionado.

Observem a quantidade de mastros. O que diferencia de 2010, quando passamos por isto, é que os barcos ficam cada vez maiores e aumentou muito o número de catamarans (barcos com 2 cascos).

Alguns dos barcos que chegam vão seguir para o Caribe, como nós. O Cirandeiro, um Benetou de 50 pés...

O Rapa-NNu, um barco todo em alumínio. Seu proprietário planejava ir para o Caribe com seus três filhos, mas faleceu em um acidente. Os tres filhos decidiram realizar o sonho do pai, e vão, sozinhos.

 O Entre Polos, do Gigante, que já navegou milhares de milhas e realizou uma viagem semelhante a que estamos empreendendo. É de Guaíba-RS. www.veleiroentrepolos.blogspot.com.

Este, que parece um clássico dos anos 60, na verdade foi construído nos anos 90. É todo em madeira e pesa 40 toneladas, ...

contrasta com o moderno Mussulo I. Um Bavária (Alemanha) Cruisser de 55 pés. É o maior dos que já chegaram.

Os barcos novos tem um desenho que acompanha a tendência atual de "limpeza", simplicidade, efeciência e linhas retas. São muito elegantes.

 No meio dessas máquinas, o Firulete parece acanhado, mas na verdade ele sabe da sua capacidade, e eu, quanto mais o navego, mais confiante fico.

O Bearship e o The Phanton of de Ópera, são dos poucos nanicos que disputam conosco.

A Refeno entra na sua semana festiva. O Cabanga está engalanado e costuma dar um show de organização. Este é o almoço que dá início a agenda festiva. Tanto barco e tanto marinheiro juntos rende assunto que não tem fim.

Mas dei um tempo de tudo. Aluguei um carro e fui para o litoral sul. Praia de Calhetas...

 Com a minha amada que veio me visitar. Foram 70 dias longe dela...

e as saudades são grandes. Seguimos para...

Porto de Galinhas, e fomos parar...

numa pousadinha muito charmosa, com um...

jardim pequeno, mas exuberante...

com piscina e tudo. Passamos dois dias de mordomia.

Só curtindo mar, ...

praia, ...

e gastronomia.

Voltamos para o Firulete e no amanhecer do dia 11 de outubro, me chamaram no Odin´s, cantaram "parabéns a você", numa mistura portunhol. Hoje completo 59.

Evoy (meu irmão) e Samara (cunhada) chegaram nesta madrugada e reforçam a tripulação do Firulete para a Refeno.

O Cabanga está engalanado para a festa maior que será um jantar a noite.

Eu e Renise fomos aproveitar um pouco mais. Fomos no Recife Antigo...

e em Olinda...

onde no mirante do Alto da Sé, se vê todo o canal do porto e a boca de saída para o mar aberto. Que me aguarde!

Na volta, passamos pela Faculdade de Olinda. Referência da Renise como bom curso de Direito.

A noite, a festa do Cabanga reuniu toda tripulação dos quase 100 veleiros. Foi a minha maior festa de aniversário...

com os Beatles tocando seus anos 60. Tudo a ver com minha geração.
Eu e Renise caímos na dança, ressuscitando nossa performance no rock in roll. Só o fôlego é que já não é o mesmo.
E assim encerramos esta etapa. Renise volta para casa e nós nos preparamos para a largada.

domingo, 7 de outubro de 2012

Projeto Volta Atlântico - etapa 2d - De férias no Recife

A chegada aqui muda um pouco o rítmo da nossa viagem. Ficaremos aguardando a regata Recife-Noronha que partirá só em 13 de outubro. Este é o evento máximo de vela da América Latina. É promovido pelo Cabanga Iate Clube, e deverá reunir perto de 100 veleiros. Quem quiser ver detalhes do evento, acesse www.refeno.com.br.

Enquanto isso vamos matando saudades desta cidade, que é muito receptiva, tem um clima ótimo e é nosso tempo para preparar o barco para as longas navegadas que teremos pela frente.
A cidade do Recife se instalou no encontro dos rios Capibaribe e Beberibe com o mar. É considerada a Veneza brasileira. Tem muita água, muita ponte e por aqui a maré varia algo como 2,50 metros.
Assim como Florianópolis, seu crescimento exigiu a ocupação de parte do que era água. Aqui o forte que guarnecia o porto, hoje é cercado por um elevado.

A cidade tem 475 anos e suas heranças são indígenas, portuguesas, africanas e holandesas (a cidade foi dominada por holandeses por quase 100 anos). Aqui o Mercado São José, no centro antigo...

todo em estrutura metálica e telhas cerâmica.

 Aqui se encontra artefatos de sertanejo...

aves de várias espécies e ...

e até aparelhos de som usados.


Muitas igrejas. Aqui a Basílica e Convento Nossa Senhora do Carmo, da Ordem Carmelita, de 1667.

No inabalável abrigo do Cabanga, o Firulete, ao lado do Odin´s estão quase a criar raízes. Seu único movimento é na vertical, acompanhando as marés. Na baixa mar, a quilha enterra na lama e aí mesmo é que não mexe.


Mas o clube é muito bom. Oferece uma ótima infraestrutura que lembra mordomia, o que aliás contrasta com a vida de navegador.

As meninas que nos atendem são muito eficientes, prestativas, simpáticas e bonitas. De forma que ficar aqui tem os seu encantos.

No fim de semana o programa é Olinda, cidade vizinha. Cheia de charme e lugares interessantes.

Rodrigo alugou um carro com Gustavo e Sandra e foram para o norte.

Passaram por Itamaracá...

Cabo Branco, que é o ponto mais ocidental do Brasil e das Américas, e subiram até João Pessoa.

Eu, como já conhecia, optei por ficar. Tirei uma folga das férias, trabalhei no projeto da casa de praia de minha filha Lola, que vai construir em Itamambuca, litoral norte de São Paulo.
Nas horas de folga curti o clube. Aqui, num tenis com Peter, do Onda Boa...

e aqui, fazendo pilatis na academia.

No dia da partida do casal Gustavo e Sandra, argentinosuruguaios do Odin´s, ganhei uma mandala de Sandra, com símbolos de bons ventos e rumos. E assim vamos fazendo e deixando amigos. Ficam as boas lembranças e as trocas, que nos amadurecem e nos lapidam.

No clube chega uma lancha do alto mar, com peixes que nos fazem sentir saudades da navegação.

Mais um domingo a tarde que vamos para Olinda...

onde bandas de maracatú ensaiam...

e se apresentam na praça. O interessante é que na grande maioria da percussão são  mulheres.

Como sempre, terminamos a noite numa roda de cerveja, Isto porque amanhã é segunda feira, dia de descanso.

Tanto que demos uma esticada na noite e fomos comer um macarrão no Odin´s, antes de dormir.

Rodrigo foi passar 10 dias em Floripa e eu vou revezando trabalho com passeios pela cidade.

Eu e Miguel fomos na Livraria Cultura, no centro antigo, e tomamos um banho de cultura. Comprei um guia das ilhas do Caribe que vai me ser muito útil.

Hoje chegou um novo amigo do Miguel, o argentino Fernando, que vai acompanha-lo até o Caribe.
Saímos para uma caminhada na orla de Pina e Boa Viagem.

Gente na praia, mas não na água. Os avisos de "alerta tubarão" não são nada convidativos. Só se entra na água com a maré baixa, quando os recifes criam uma barreira natural.

No fim da tarde, um olhar para a entrada do porto, nos lembra de que, logo, por ali será nossa porta de saída.

Mas por enquanto vamos curtindo terra. No aniversário do Miguel, preparamos uma festa a bordo, com todos os "embarcados". Risoto de lula, que eu fiz, e uma torta de chocolate, maravilhosa, feita por Guta, do Guruçá Cat.
Rodrigo chegou de Floripa exatamente para a festa.

Voltamos a Olinda...

onde assistimos o por do sol com Recife no horizonte.

No alto da Sé, com Lúcia, uma candidata a tripulante do Odin´s, até Natal. É pernambucana  mas mora em São Paulo. Estava inscrita em outro barco, mas como estavam já em oito tripulantes está migrando. Muito simpática!

Numa parada para um tira gosto, apareceu um artesão que nos fez...

um peixinho de palha. Quiz fotografa-lo e Lúcia acabou fazendo o pano de fundo.
Resultou uma foto muito artística. (A cerveja faz coisa).

Dentre os vários candidatos que disputavam o espaço de aglomeração, um me pareceu familiar...

o (quase) Fidel Castro, em pessoa.